terça-feira, 21 de março de 2017

A NATUREZA DA AMÉRICA

A NATUREZA AMERICANA

A imagem que o resto do mundo tem dos Estados Unidos, amigos, é falsa. Aquele país, a despeito da confusão do séc. XX, ainda é um país cristão em grande medida. Esse cristianismo, contudo, não é refletido na política, na mídia ou no cinema. Essas três áreas são dominadas por humanistas e estes tendem a seguir uma agenda própria, no intuito de transfigurar o verdadeiro caráter do americano médio. Para Erik von Kuehnelt-Leddihn, o americano talvez nunca tenha sido um homem moderno no sentido completo. Os Pais Peregrinos, segundo alguns intelectuais, inclusive Rushdoony, fugiam não apenas de uma igreja onde não se sentiam livres, mas também da modernidade e do Iluminismo. A grandeza daquela nação está enraizada especialmente em Calvino. Tocqueville notou que a grandeza americana não estava em outro lugar além da vitalidade das igrejas.

"Eu procurava pela grandeza e pelo gênio da América em seus amplos portos e rios majestosos, – e não estava lá… na fertilidade de seus campos agrícolas e nas suas florestas ilimitadas – e não estava lá… nas suas ricas minas e no seu vasto comércio mundial – e não estava lá… no seu Congresso democrático e na sua constituição sem par, e não estava lá. Foi só quando visitei as igrejas da América, e ouvi seus púlpitos clamando exaltadamente por justiça e retidão que eu entendi o segredo do gênio e poder deste país. A América é grande porque ela é boa. Se ela cessar de ser boa, cessará de ser grande."

Kuehnelt-Leddihn escreveu:



"Se nós chamarmos os estadistas do fim do século dezoito de Founding Fathers of The United States, então os Peregrinos e Puritanos são os avôs e Calvino é o bizavô. Dizendo isso, ninguém precisa excluir a Virginia, porque o Anglicanismo tem fundações essencialmente Calvinistas ainda reconhecíveis em seus Trinta e Nove Artigos, e os Pais Peregrinos, como os Puritanos em geral, representavam um tipo de Anglicanismo re-reformado. Embora a moda Deísta oitocentista possa ter penetrado em alguns círculos intelectuais, o espírito predominante dos americanos antes e depois da Guerra de Independência era essencialmente calvinista em ambos os aspectos brilhantes e feios. Eles eram um povo trabalhador, sóbrio, sincero, intensivamente nacionalista, conscientes e orgulhosos de seus padrões morais, que incluíam a "ética protestante do trabalho". Como uma nação de tais virtudes eles despertaram a admiração do mundo e em sua própria auto-estima foram convencidos de que sua nação tinha uma missão messiânica de salvar o mundo através de uma 'novus ordo seclorum'."
Para o austríaco, mesmo o desprezo pela religião que a América tem vivenciado no séc. XX não conseguiu apagar a marca do reformador de Genebra.
"Ainda que o recuo de Calvino nunca tenha sido completo, não é assim nem mesmo hoje. Sua influência continua a mover-se como uma corrente sombria e subterrânea através do subconsciente americano. A presença do Maistre Jehan da teocracia genebrina pode ser sentida ao longo de toda grande literatura americana e em menor grau através de outras expressões artísticas americanas. Os americanos não podem afastar-se completamente da noção de que o homem é uma criatura depravada totalmente aleijada pelo Pecado Original e que a Graça de Deus sozinha pode salvá-lo. Por baixo de toda a atividade frenética, da busca sem descanso por prazer, uma certa melancolia permeia a vida americana e encontra expressão em uma música folk que é profundamente Calvinista, expressando a seu próprio modo o que Jacques Chardonne, um Católico, chamou de 'les terribles vérités chréstiennes'."

Hollywood não tem interesse em retratar a verdadeira América; antes, eles querem transformá-la. "Hollywoood vende 'Californication'", cantou Anthony Kiedis, vocalista do Red Hot Chili Peppers. Entre historiadores há uma tentativa clara de apagar a influência cristã da história daquele país. É por causa do cinema e da vida das celebridades ou por causa das opiniões progressistas de seus maiores jornais que mesmo nós, cristãos brasileiros, comumente caímos no antiamericanismo sem entender a complexidade das mudanças que aquele país enfrentou no século passado, ainda que não recorramos ao antiamericanismo que a esquerda implantou nas escolas. A verdade é que aquela realidade que julgamos representar a cultura americana existe apenas em algumas regiões do país.

LAICISMO?


O "laicismo" americano originalmente não impedia que aquele país fosse essencialmente cristão. Não apenas nos costumes, mas nas próprias leis. A Primeira Emenda nada dizia sobre a separação entre igreja e estado; era na verdade um limite para o Congresso. Até várias gerações depois de sua ratificação, as sessões começavam com um culto solene. Os estados constituintes eram definitivamente cristãos. O cristianismo era requerido para cidadania e direito de voto (se não fosse cristão, sequer poderia servir como testemunha em um tribunal). Havia leis proibindo a blasfêmia, leis requerendo a fé na Trindade, etc. Acontecia mesmo de a Bíblia ser citada em um julgamento quando a lei civil não cobrisse o caso, como aconteceu em um caso de divórcio em New Hampshire em 1836. Um ateu podia ser preso em alguns lugares, como um homem preso por 60 dias em Boston (1820) por ter negado a ortodoxia em uma publicação de jornal.

É apenas no séc. XX que encontra-se uma luta multiculturalista e relativista, na qual a cultura é reduzida às artes cênicas e plásticas no intuito de negar a unidade americana em torno de uma cultura e religião comuns. Defende-se que a união americana é feita única e exclusivamente pela política, pelo voto, como se aquele país fosse na verdade um papel em branco em que qualquer cultura do mundo possa encaixar-se. Mas isso não é verdade. Mesmo os católicos romanos acabavam aderindo à cultura calvinista predominante. Para Erik von Kuehnelt-Leddihn, os católicos americanos e os católicos europeus seguiram caminhos bem diferentes; que aqueles, embora confessadamente tomistas, eram culturalmente calvinistas, a ponto de julgarem os imigrantes católicos irlandeses e italianos como pagãos diante da sobriedade cultural calvinista.

"Católicos americanos foram por um longo tempo, como foi mostrado em seus modos puritanos, uma pequena minoria influenciada pela cultura Protestante ao seu redor, sua sobriedade religiosa, seu clericalismo e legalismo e total aceitação da teologia Tomista. Eles eram ao mesmo tempo culturalmente Calvinistas e intelectualmente medievais e esta foi a ocasião de muitos desentendimentos entre eles e seus correligionários europeus continentais. Para muitos católicos americanos e irlandeses-americanos os imigrantes italianos pareciam mais pagãos do que Cristãos. Inclusive, como Everett Dean Martin assinalou, o espírito americano era - e em pequena medida ainda é - mais medieval do que moderno. D. H. Lawrence chegou muito perto da mesma conclusão. Martin achou que o americano não era um homem moderno porque ele perdeu as influências liberalizantes da Renascença; Lawrence sustentou que a influência da Renascença foi precisamente do que os Pais Peregrinos fugiram. Antes da Primeira Guerra Mundial a maior parte dos colégios e universidades, alguns bancos e uma boa quantidade de palácios milionários foram construídos no estilo Gótico e alguns arranha-céus tinham pináculos góticos. Até mesmo as chamadas letras góticas eram consideradas como possuindo um caráter sagrado e eram favorecidas por inscrições religiosas e no anúncio de objetos litúrgicos.. Mas talvez o contraste entre o Gótico americano e o Renascimento europeu talvez possa ser melhor compreendido pela comparação entre os rostos e figuras no famoso trabalho de retratos de Grant Wood com a "deusa batizada" de Nascimento de Venus, de Boticelli."

A religiosidade protestante foi o parâmetro que garantiu a unidade àquela nação. O puritano John Winthrop, em seu sermão "A Model of Christian Charity", descreveu a natureza o ideal de fundação daquela que viria a ser a América a partir da colônia da Nova Inglaterra:
"Eis que está posta a causa entre Deus e nós. Estabeleceremos uma aliança com Ele para esta obra. Assumimos uma comissão. O senhor nos permitiu redigir os próprios artigos. Professamos empreender estes e aqueles esclarecimentos, sobre estes e aqueles fins. Temos, depois disso, lhe suplicado graça e bênção. Agora, se for agradável ao Senhor nos ouvir, e trazer paz para o lugar que desejarmos, então terá ratificado esta aliança e selado nossa comissão, e esperará uma observância rigorosa dos artigos nela contidos. Se negligenciarmos, contudo, a observância desses artigos, que são os fins aos quais nos propusemos, e, usarmos de dissimulação para com o nosso Deus, ao abraçar o mundo presente e dar seguimento às intenções carnais, buscando grandes coisas para nós mesmos e para nossa posteridade, o Senhor certamente lançará sua fúria contra nós; vingar-se-á de tal povo [pecador] e nos dará a conhecer o preço da violação de tal aliança."


Que o Senhor possa reavivar a América e avivar o Brasil.

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